POESIA: ENVERGONHADA

Branca como a lua
e luzente do alto privilégio
que é haver nascido
da cor que não a apontam
com infindáveis impropérios.

Eu sou favorecida
mesmo sendo pobre,
pois em meio àqueles referidos
pela cor, sou tida como superior.

Beneficiada, sim, eu reconheço!
O que eu fiz para merecer
tamanho apreço se em minhas veias,
assim como as de quaisquer pretos,
também flui sangue vermelho?

Apadrinhada sem padrinhos:
assim reverbera o destino.
Envergonhada, eu busco rimar
o perdão que a minha cor
não merece conquistar.

4 comentários em “POESIA: ENVERGONHADA

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