ARTIGO: DAS TREVAS AO BREU

O título pode assustar e até parecer algo ofensivo, mas não, o terror deve ofender a mente e assim, fazendo o desconforto surgir, nós escritores das trevas nos regozijamos em nossa mente, pois o dever foi cumprido. A escrita no gênero horror, tem em si uma beleza maléfica, uma pitada de danação. O escritor, ou melhor, eu, quando escrevo as minhas trevas, sinto viajar no oceano da imaginação d’onde os pensamentos mais proibidos dormem em busca de não traumatizar mais ninguém além de seu hospedeiro: eu. Mas o terror é libertador, ele expurga seus demônios, torna eles mais vívidos, torna seus medos partilháveis. Escrever terror no Brasil pode ser a forma de apaziguar nossas dores num país deveras injusto com a classe dos poetas e artistas em geral. Os olhares estranhos, a sensação de perturbar a falsa ordem da elite que mal lê. Mas para nós, as trevas, o inferno, o mau, é o nosso segundo sangue, além é claro, dos livros… Fazemos do mundo um lugar melhor? Ou só o deixamos mais assustador? Isso me perturba, assim como a presença maligna que me visita, assim como a sombra que tende a me perturbar dizendo: escreva!!! É… escritores malditos é o que somos, essa é a nossa virtude e nossa danação.

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