POESIA: UTOPIA

Reconcentrado, numa jornada quintessência,

Sob o sombreiro do arbusto de moráceas glabras,

Eflui fragrâncias de mentrasto,

Especiaria de vegetação rasteira

Harmonizada com cravinas de carmesim intenso.

A quietude leniente,

Vereda ao desconhecido,

Às profundezas intrincadas da alma

Aturdido pela catarse lúbrica,

O silêncio se fez ensurdecedor, voraz,

Os punhos o asfixiam,

O clamor interno, soturno

Identifica o sofrimento dos ignorados:

Com suas vestes rotas, descalços,

Curvados, afaimados, descolocados,

Desabrigados, sob marquises pleiteiam acomodação…

O espírito inquieto, exacerbado,

Agora, distante de floreios, de belas palavras,

Revel com o ultraje endêmico, social e cultural,

Estimulado por um sistema coercivo,

Violento, destrutivo, regresso e bárbaro

O pêndulo, arremessado

Como lâmina amolada,

Escolhe o alvo:

As têmporas da pária,

Domada atrozmente,

Embriagada pelo inculto

Com insipidez, assente.

Utópico, não hesito.

Sonho com a reversibilidade inopinada,

O reviralho,

Com a paridade, a equidade…

Vamos ousar:

A ousadia tem em si a vocação, a capacidade e a magia de transformar!

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