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CONTO: LUTA COM O DIABO

DE: ADRIANO BESEN

Uma história macabra que meu avô sempre contava com reservas, era sobre o dia que ele lutou com um demônio. Sim, meu avô dizia que lutou com o próprio Diabo. Quando meu avô era jovem, teve uma namorada e os dois decidiram morar juntos. No início, tudo no relacionamento era repleto de amor; apesar de que nem todos no bairro gostassem de sua namorada. Segundo o meu avô, algumas pessoas frequentemente afirmavam que sua namorada era uma bruxa e que praticava magia negra. Ele acreditava que aqueles boatos eram intriga da oposição; por inveja ou algo assim.

Com o passar do tempo, passou a desconfiar da namorada. Ela tinha um comportamento estranho e às vezes, sumia em determinadas noites. Ele começou a achar que estava sendo traído e resolveu que ia começar a segui-la. Ele percebeu que ela sempre sumia nas noites de sexta-feira, principalmente na lua cheia. Ele passou a ficar monitorando os passos da namorada.

Certa noite, ele ficou escondido e esperou ela sair do trabalho. Ele estava decidido a segui-la. Ela caminhou por várias ruas e entrou em uma estrada escura que parecia levar até um sítio abandonado, cercado por uma floresta. Era um lugar escuro, mas meu avô ia se escondendo atrás de árvores para não ser visto. Sua namorada continuou caminhando para a escuridão e logo, meu avô começou a ouvir vozes. Ele foi lentamente se aproximando para não ser notado.

Percebeu que havia uma fogueira e algumas pessoas reunidas perto do fogo. Todos pareciam estar em uma espécie de transe. Todos usavam roupas pretas; inclusive sua namorada. Aquele cenário sombrio era nitidamente um ritual de magia negra. Meu avô foi se aproximando devagar e viu símbolos estranhos desenhados no chão. Em um altar próximo daquelas pessoas, havia garrafas, um crânio humano, velas acesas e outras coisas que ele não soube identificar.

Viu sua namorada em um local um pouco mais distante daquelas pessoas. Ela estava dentro de um círculo desenhado no chão; estava de joelhos e de costas para a fogueira. Nessa hora, meu avô ficou irritado com o que estava vendo e resolveu ir até lá. As pessoas ali presentes pareciam não vê-lo, o que era muito estranho. Elas estavam mesmo em transe.

Ele se aproximou da namorada, que aparentava estar também em transe e quando olhou por cima do ombro dela, viu que no chão estava escrito o nome dele com um punhal cravado na terra. Meu avô ficou chocado com o que estava vendo e sem pensar, deu um chute no punhal que foi parar no meio do mato. Nessa hora a sua namorada se levantou e começou a falar com uma voz rouca e masculina. Parecia desfigurada; possuída por um espírito maligno.

Ela atacou o meu avô com extrema força e violência. Jogou meu avô no chão com uma carga energética sobre-humana. Ele tentou se defender e revidou. Aquele demônio a sua frente gritava que queria mata-lo; e dizia que a sua morte havia sido encomendada. Foi aí que meu avô apavorado deu um soco nela e gritou a frase: “Sangue de Cristo tem poder”; e ela caiu atordoada, enquanto isso ele fugiu pelo mesmo caminho por onde tinha vindo. Ele correu muito; a toda velocidade. Aquilo foi definitivamente inusitado e traumático para ele.

Depois desse episódio sinistro, a namorada dele sumiu misteriosamente da cidade e ele nunca mais a viu. Alguns dias depois, inconformado e curioso com o ocorrido, retornou ao sítio, onde aconteceu a luta com a namorada possuída. Dessa vez, ele foi acompanhado de um amigo policial, e não havia indícios sequer do que tinha acontecido lá; naquela terrível e assombrosa noite.

Não havia mais altar, crânio humano, garrafas, velas e nem aqueles símbolos riscados no chão; provavelmente foram todos apagados. Procuraram pelo punhal arremessado no mato e também não o encontraram. Não havia nem resquícios da enorme fogueira. Realmente, muito estranho. Desde então, tudo não passa de um grande mistério e da lembrança assombrosa do dia em que meu avô lutou com o Diabo. 

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