POESIA: O ANJO AMBIVALENTE

Um anjo desceu do lado escuro

da Lua crescente,

e invadiu meu subconsciente

enquanto eu sonhava com as areias do deserto.

Arrebatada perguntei de maneira impertinente:

– Anjo, você acha que no túmulo

acaba a vida como um sol poente?

Sua resposta foi ambivalente:

– Pode ser que a alma continue

ou desapareça no túmulo silente.

Sou um Anjo, nunca esquadrinhei

os meandros da criação divina

eu não conheço todas as respostas,

mas sou um Anjo e o mundo me fascina.

Depois, apoiou-se no zodíaco de Dendera e falou:

– A vida humana é como uma trilha na selva.

O homem é só um microcosmo e até as paixões

estão escritas com tinta nas estrelas.

São as estrelas as grandes condutoras

deste Universo de papel e fantasia

que ancora sonhos e esperança e amor e ódio e poesia.

É preciso ser um leitor das estrelas muito atento,

perscrutar o céu, contemplar auroras,

compreender os relatos mitológicos,

pensar no zodíaco, nos quadrantes,

analisar as sinastrias e os círculos astrológicos.

É preciso avançar com cautela

(calmamente)

e perseguir o rasto da sincronicidade

entre os gestos humanos e as estrelas.

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