QUIMERA E OS IRMÃOS VENENO

No final da década de 80 aconteceu algo inacreditável; algo que só se via em filmes. Foi uma mescla de ficção científica, de terror, de drama, de thriller, de fantasia. Essa história não foi parar nos jornais impressos ou nos noticiários de TV; poucas pessoas souberam do caso, já que ocorreu em uma época que não havia internet. Imparcial, o próprio tempo engoliu tal acontecimento sinistro. Tudo começou com dois irmãos gêmeos: Nino e Betinho. Desde criança eles eram vistos no bairro como garotos perversos. A má reputação de Nino e Betinho teve início quando foram flagrados jogando gatos e cachorros da ponte da cidade. Os animais eram colocados em sacos amarrados e arremessados no rio para que morressem afogados.

Os irmãos eram ainda pequenos, mas sua maldade se mostrava grande. Seus pais não conseguiam educa-los corretamente; na verdade, não pareciam se importar com os filhos. Quando estavam com sete anos de idade, os garotos ficaram conhecidos no bairro como: irmãos veneno. Como foram ameaçados pelas pessoas do bairro, por jogarem os animais da ponte, resolveram adotar outra estratégia; o veneno. Os dois malvados colocavam veneno em pedaços de pão e ofertavam aos animais da vizinhança, que morriam poucos dias depois. Assim, os irmãos veneno descobriram que poderiam agir sem chamar muito a atenção. Mataram muitos animais usando raticida e outras substâncias venenosas que conseguiam sabe se lá onde.

As pessoas desconfiavam que fossem eles os responsáveis pelas mortes, mas os dois negavam tudo, já que nunca houve o flagrante ou uma prova pericial. O gosto por essas experiências macabras só foi aumentando. Com o passar do tempo, os irmãos veneno se tornaram ainda mais perigosos e a prova disso aconteceu quando deram veneno para uma criança recém-nascida. A criança teve convulsões, morrendo minutos depois. Todos suspeitaram imediatamente de Nino e Betinho, que juraram inocência. Outro fato muito comentado foi o caso do pai deles, que morreu em casa de maneira repentina e suspeita. A morte do homem também passou a ser atribuída aos garotos; mas não tinha como comprovar tal suspeita simplesmente acusando duas crianças.

Era comum que as pessoas comentassem no bairro que os irmãos veneno não possuíam anjos da guarda, mas sim demônios da guarda. Na escola, os dois garotos frequentemente se metiam em brigas, além de serem péssimos alunos. Todos tinham medo de Nino e de Betinho; tanto crianças, quanto professores. Certo dia, os irmãos veneno invadiram a escola no final de semana, foram até a caixa d’agua e jogaram alguma substância tóxica na água. Naquela semana, diversas crianças foram parar no hospital. Os dois irmãos diabólicos se divertiam com seus atos terroristas; como foram vistos nas imediações da escola, a direção achou conveniente expulsá-los.

Poucos anos depois, já na pré-adolescência, os irmãos veneno eram obcecados por tudo que possuísse alguma substância venenosa. Eles tinham um verdadeiro fascínio por plantas tóxicas, cobras, sapos, escorpiões e outros bichos venenosos, produtos químicos, etc. Eles faziam experiências absurdamente perigosas. Ninguém na cidade era louco de vender certas substâncias para Nino ou para Betinho, e como eles tinham dificuldade para adquirir veneno na cidade e nem sempre conseguiam furtar, os dois decidiram fabricar um veneno poderoso. Os irmãos veneno aprenderam que com determinada planta, podiam fabricar o pó de mico, que jogavam nas pessoas. O pó de mico causa alergia e coceiras insuportáveis. Eles descobriram que secando e reduzindo a pó as águas-vivas e os tentáculos das lulas, também teriam um poderoso pó alérgico.

Os dois facínoras usavam sua inteligência em prol da crueldade, estimulados ou “alimentados” por uma já aparente psicose. A escola tradicional já não servia aos seus propósitos desumanos; os irmãos veneno buscavam sempre o aprendizado sombrio, buscando em livros ou revistas conteúdos que pudessem enriquecer seu conhecimento diabólico. A gritante fome de matar que eles sentiam implorava por mais uma vítima; e em breve eles entrariam em ação novamente.

Nessa mesma época, um fenômeno da natureza fez com que aparecesse na beira da praia da cidade centenas de caravelas portuguesas, repletas com células urticantes em seus tentáculos. Em contato com a pele, suas toxinas podem causar queimaduras de até terceiro grau. Junto com as caravelas portuguesas, apareceu em número ainda maior os seus predadores, os dragões azuis; uma lesma-do-mar, pertencente ao grupo dos moluscos. Como o dragão azul se alimenta das caravelas portuguesas, estocam e potencializam as perigosas toxinas das caravelas. Um “prato cheio” para os irmãos veneno. A natureza estava oferecendo gratuitamente a matéria prima para os dois psicopatas fabricarem algum tipo de substância venenosa.

Os irmãos veneno ficaram sabendo das caravelas portuguesas e dos dragões azuis espalhados por toda a orla da praia. Resolveram rapidamente coletar uma grande quantidade. Os dois tiveram a maquiavélica ideia de criar uma poderosa fórmula venenosa capaz de matar qualquer criatura. Empolgados, levaram para casa o que coletaram na praia e começaram os preparativos do super veneno. Nino colocou as caravelas portuguesas e os dragões azuis dentro de uma grande panela com água. Betinho saiu para buscar outros “ingredientes” para a macabra receita e uma hora depois, voltou com uma mochila cheia.

Colocaram a grande panela no fogão; em fogo baixo, para um cozimento lento. Logo começou a fervura e Betinho foi adicionando na panela o que havia trazido em sua mochila. Eram diversas plantas tóxicas, como: Comigo-ninguém-pode (as folhas), Copo-de-leite (a flor), Espirradeira (partes da planta), Coroa-de-cristo (partes da planta), Estramônio (a flor) e Lírio (a flor). Betinho ainda trouxe na mochila dois sapos cururus; ele retirou dos anfíbios suas glândulas venenosas chamadas de paratoides e em seguida tudo foi jogado dentro do panelão onde já cozinhavam as caravelas portuguesas e os dragões azuis. Os irmãos veneno tinham um plano e não iam parar.

Todos aqueles “insalubres ingredientes” sendo fervidos dentro daquela grande panela mais pareciam compor uma poção mágica, daquelas que só se vê nos filmes de bruxas. O miasma vindo daquela fervura lenta era simplesmente insuportável para qualquer pessoa normal; um cheiro nocivo. Depois de algumas horas cozinhando no fogo baixo, o composto venenoso tinha se tornado um concentrado viscoso; um xarope funesto de cor azul esverdeada. O super veneno parecia estar pronto e agora, os irmãos veneno iriam testá-lo em alguém… E foi nesse dia que começou a parte mais assustadora dessa horrenda história.

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O bairro onde vivam os lunáticos irmãos veneno ficava em uma bela cidade litorânea, tinha uma linda praia; e lá também morava Rodrigo, um bom rapaz que sofria de depressão e por isso, tomava remédios controlados. Rodrigo era filho único e cresceu em uma família problemática, com um pai violento, que batia nele e na mãe. Frequentemente, para evitar as agressões do pai, Rodrigo ia para a praia perto de casa e ficava lá por horas lendo algum livro ou olhando para o mar com tristeza. Certa noite, o pai chegou embriagado e começou a agredir sua mãe. Rodrigo tentou impedir o pai que o ameaçou com uma faca. O jovem fugiu mais uma vez para a praia, saiu de casa batendo a porta, tomado por uma imensa revolta.

Naquela noite, ao chegar à praia, Rodrigo queria ficar sozinho com seus pensamentos. Ele queria ficar pensando na vida, como sempre fazia; estava triste por não ter um pai que fosse seu amigo e o amasse. Rodrigo não tinha amigos e isso também doía no seu coração. Na escola, sempre foi vítima de bullying, o que o afastou ainda mais dos jovens da sua idade. Enquanto caminhava na areia, observou as caravelas portuguesas e os dragões azuis trazidos pelo mar e espalhados na beira da praia; mas nem deu importância para aquilo. Com o coração apertado e a cabeça doendo, não conseguia fazer mais nada além de sofrer. Resolveu caminhar até um canto da praia onde não havia iluminação e sentou-se no escuro, sob uma árvore perto do costão.

Quando teve a certeza que ninguém estava olhando, Rodrigo começou a chorar. Ele precisava colocar para fora a tristeza que estava sentindo. Suas lágrimas eram salgadas como o mar, e a sua solidão, profunda como o oceano. Rodrigo estava imóvel naquele mesmo lugar há mais ou menos duas horas. Assim que se acalmou, achou que já estava na hora de voltar para casa. Levantou-se, respirou fundo e quando ia começar a caminhada de volta, foi agarrado por trás. Sentiu a ponta do que parecia ser uma faca encostando com força na sua barriga. Foi um tremendo susto. Rodrigo achou que talvez o seu pai o tivesse seguido armado com aquela faca que havia lhe ameaçado mais cedo.

Rodrigo, mesmo naquele lugar escuro, percebeu a presença de duas pessoas. Ouviu uma voz ordenar que ficasse quieto e obedeceu, com muito medo de morrer. O jovem foi amarrado a uma árvore e amordaçado, só então alguém acendeu uma lanterna que iluminou parcialmente o ambiente. Nesse exato momento Rodrigo reconheceu as duas pessoas que estavam ali… eram os conhecidos irmãos veneno; e eles queriam matar. Aterrorizado, Rodrigo lembrou-se do que as pessoas comentavam a respeito de Nino e de Betinho. O jovem rapaz nunca havia sequer trocado uma palavra com os irmãos veneno; tinha medo e por isso sempre fez questão de passar longe. Agora ele tinha sido capturado pelos dois monstros e estava com mau pressentimento sobre o que ia acontecer om ele.

Nino estava agachado pegando alguma coisa em uma mochila. Enquanto isso, Betinho torturava psicologicamente Rodrigo, cutucando com a ponta da faca e dizendo que em breve ele estaria morto. Tremendo de pavor e chorando muito, Rodrigo não podia acreditar no que estava acontecendo. Mentalmente se perguntava o porquê daquele castigo. Perguntava-se o que tinha feito para merecer tamanho sofrimento. Os irmãos veneno tinham ido até a praia em busca de uma vítima para testar o seu composto venenoso e chegando lá, viram Rodrigo sozinho, caminhando para um local deserto… era tudo o que eles queriam. Seguiram o jovem, observando a distância, até resolverem atacar e colocar em prática o seu plano macabro.

Com uma seringa de 20 ml na mão, Nino se aproximou de Rodrigo e injetou aquela substância azul esverdeada no seu pescoço. Betinho parecia se divertir muito ao ver os olhos arregalados de Rodrigo. Nino encheu novamente a seringa; com mais 20 ml, e aplicou outra dose do super veneno, dessa vez em um dos braços do jovem. De maneira tipicamente sádica, Betinho fez com que Rodrigo engolisse mais 20 ml daquela substância diabólica. Entrando em convulsão, o jovem logo desmaiou. Os irmãos veneno acharam que Rodrigo estava morto e decidiram ir embora antes que alguém os visse. Amarrado a uma árvore, Rodrigo foi deixado para receber o gélido abraço da morte.

Rodrigo passou toda a madrugada e parte da manhã do dia seguinte amarrado àquela árvore, até que um pescador que passava pelo local encontrou o jovem aparentemente morto. A polícia foi chamada e assim que chegou ao local, constatou que o jovem estava vivo. Rodrigo foi levado com urgência para o hospital da cidade. Ficou em coma induzido por dias na UTI. Quando seu quadro médico foi estabilizado e já não corria mais risco de morte, o jovem foi levado para um leito em quarto comum. Durante sua recuperação os médicos perceberam estranhas mudanças de comportamento e acharam melhor que Rodrigo fosse transferido para um hospital psiquiátrico.

Um intenso tratamento com poderosas drogas foi iniciado, pois Rodrigo se negava a falar com as pessoas. Além disso, estava visivelmente violento e o mais estranho de tudo era a coloração que sua pele tinha ganhado; uma cor meio azul, meio verde. Seus dentes e unhas escureceram e seus olhos que eram castanhos claros, agora eram negros. Os médicos faziam exames para tentar compreender o que acontecia no organismo do jovem. Seu sangue sofreu uma mutação e assim como a sua saliva, se transformou em uma secreção tóxica, ácida e corrosiva. O composto venenoso que os irmãos veneno aplicaram em Rodrigo alterou não só o seu comportamento, mas principalmente a sua configuração genética, a sua estrutura molecular e o DNA das suas células.

Talvez a combinação entre as poderosas drogas que Rodrigo foi submetido no hospital, os medicamentos controlados que já tomava e aquele super veneno tenha desencadeado aquelas estranhas mutações. Os médicos não sabiam nada sobre o que os irmãos veneno haviam feito e seguiam fazendo exames em Rodrigo em regime de isolamento. Certo dia, uma enfermeira entrou no quarto para fazer alguns procedimentos de rotina, como: coletar amostras de sangue, das unhas, da pele e da saliva para análises laboratoriais. O jovem estava irritado, já não aguentava tantos exames e procedimentos médicos e tomado por uma grande carga de estresse, sofreu um ataque de pânico, e acabou mordendo a enfermeira no braço.

O local da mordida infeccionou rapidamente e gangrenou. Dias depois a enfermeira precisou ter o braço amputado. Desse dia em diante, Rodrigo ficou conhecido no hospital como Quimera, nome escolhido em alusão a uma criatura mitológica híbrida mutante. O jovem tinha se tornado realmente diferente de tudo que já se viu na medicina e para a segurança de todos, foi realocado na área restrita de pesquisas do hospital. Apesar de não querer falar com ninguém, Rodrigo sempre esteve consciente. Ele sabia que depois do incidente com a enfermeira, precisaria fugir do hospital, ou fariam dele um rato de laboratório para sempre. Já era hora de voltar ao bairro onde vivia e resolver uns assuntos pendentes. Rodrigo iria se vingar dos irmãos veneno.

No final de uma noite de domingo, quando os funcionários do hospital ficavam mais distraídos, Quimera decidiu que era o momento certo para fugir. Sabendo que todos usavam apenas os elevadores do prédio, saiu calmamente e sem ser visto descendo pelas escadas; foi fácil. Ele também não foi notado ao sair pela porta que dava acesso ao estacionamento e de lá, bastou pular o muro e se ver livre na rua. Quimera caminhou horas, não se sentia cansado; sua mutação o fez mais resistente. Percebeu que enxergava muito bem no escuro. Os cães e os gatos que encontrava na rua fugiam de medo, como se soubessem que aquele ser não era um simples humano. Ele caminhou quilômetros até que chegou à sua casa pouco antes do sol nascer.

Quimera entrou em casa e viu o pai, que como sempre, estava sentado no sofá; bêbado. O pai não o reconheceu o filho e imediatamente o atacou achando que a casa estivesse sendo invadida por um bandido. A mãe acordou com o barulho, entrou na sala e reconhecendo Rodrigo, tentou impedir o marido de agredi-lo. O homem embriagado deu um soco na mulher que caiu desmaiada. Em um ataque de fúria, Quimera mordeu ferozmente o próprio pai no pescoço… e o homem morreu em poucos segundos, paralisado com as letais toxinas presentes na boca do filho. Transtornado e tomado pelo ódio, Quimera deixou a sua casa, e estava decidido a caçar os irmãos veneno. Eles haviam criado um monstro e agora, o monstro iria devorá-los.

Nem o Nino e nem o Betinho faziam ideia do que estava acontecendo. Eles acreditavam que Rodrigo tinha sido morto pelo super veneno que produziram. No entanto, Rodrigo não só sobreviveu como também se tornou Quimera; e em breve, os irmãos veneno conheceriam o impetuoso monstro que criaram por acidente. A criatura se revelaria para os seus criadores e o destino cobraria o preço por todo o mal que causaram durante suas vidas. Acionada pelo hospital psiquiátrico, a polícia já estava caçando Quimera como sendo um paciente perigoso que havia escapado de suas instalações. Os policiais não foram informados sobre o risco letal que todos corriam; para eles, era apenas um maluco que havia fugido do hospício e deveria ser capturado. Foram instruídos a procurar no endereço onde o paciente vivia com os pais e ao chegar ao local, encontraram duas pessoas mortas. Constataram algo que parecia ser uma mordida dilacerante no pescoço do homem e a mulher morta, que possuía um grave traumatismo cranioencefálico. O sangue do casal escorria pelo chão.

A mãe de Rodrigo estava morta ao lado do marido, com uma fratura no crânio; possivelmente bateu a cabeça com força quando levou um soco do marido. Quimera não sabia que a mãe também estava morta. A vida estava sendo cruel com o jovem rapaz; ele não merecia estar vivendo aquele pesadelo. Rodrigo já não se sentia mais humano. Alguma coisa selvagem havia despertado dentro dele. Ele agora só pensava em encontrar os irmãos veneno; enquanto isso, a polícia rondava o bairro a sua procura. Quimera resolveu ir até a praia onde tantas vezes se refugiava para ficar imerso em sua depressão. Queria ir até o local onde Nino e Betinho tentaram mata-lo.

Ao caminhar pelas ruas do bairro em direção à praia, as pessoas olhavam com espanto para Quimera; sua pele com aquela coloração entre o azul e o verde era assustadora. Ele tinha um aspecto que lembrava um morto vivo, desses que se vê nos filmes de zumbi. Quem o via andando na rua pensava que ele só podia estar doente. Os moradores da região reconheceram Rodrigo como o jovem que foi encontrado quase morto amarrado a uma árvore, e rapidamente a fofoca foi se espalhando por todo o bairro. Quimera não se importava que olhassem para ele e continuou até chegar à praia. Dirigiu-se até a árvore onde foi amarrado e envenenado; onde aquele terrível pesadelo havia começado. Ele abaixou a cabeça e chorou muito… chorou de raiva.

A notícia de que Rodrigo estava vivo logo chegou aos ouvidos dos irmãos veneno. Eles ficaram surpresos e desapontados, pois não podiam acreditar que o super veneno que produziram havia falhado e quiseram ver com os próprios olhos o tal jovem que todos estavam comentando que parecia um morto vivo. Os irmãos veneno ficaram sabendo que Rodrigo foi visto na praia e correram apressados para lá, animadíssimos como alguém que vai a um circo dos horrores para se divertir. Ao chegarem à praia olharam para um lado, para o outro, e não viram Rodrigo. Nino sugeriu que fossem até o local onde haviam envenenado Rodrigo, no canto próximo ao costão; Betinho concordou, com um sorriso psicopata no rosto. Eles queriam rever a sua vítima.

Os irmãos veneno caminharam pela beira da praia e rapidamente chegaram debaixo da árvore onde tinham cometido o crime; olharam em volta, mas não havia ninguém. De repente, ouviram um ruído e quando olharam para cima, uma horripilante criatura com olhos negros olhava faminta para os dois… era Quimera. Os irmãos veneno não tiveram tempo de correr. Quimera saltou sobre os dois irmãos cravando as suas unhas tóxicas no pescoço de Betinho e cuspindo sua saliva corrosiva nos olhos de Nino, que caiu no chão com desesperadora dor.

Com o pescoço rasgado, Betinho morria lentamente, com uma grave hemorragia. O sangue dele esguichava por todo o lugar. Imóvel, ele ainda assistiu Quimera abrir com as próprias mãos a barriga do irmão, tirar suas vísceras e órgãos, enquanto Nino gritava para todo o bairro ouvir. A maldade dos irmãos veneno havia chegado ao fim; o castigo tinha finalmente chegado para Nino e para Betinho. Banhado de sangue, Quimera ficou olhando para os dois corpos no chão enquanto as sirenes da polícia pareciam se aproximar do local. Em poucos segundos, Quimera estava cercado por policiais que apontando as suas armas, ordenaram para que ele levantasse as mãos e não se movesse.

Quimera ameaçou atacar os policiais que assustados com aquela criatura diante deles, atiraram sem pensar. Foram muitos tiros. Quimera era um mutante, mas não era imortal. Ele morreu no mesmo lugar onde os diabólicos irmãos veneno tentaram tirar sua vida. No relatório da polícia ficou registrado apenas que o paciente que fugiu do hospital psiquiatra atacou e matou duas pessoas, foi baleado pelos policiais e não resistiu aos ferimentos causados pelos tiros. As autoridades fizeram de tudo para abafar o caso; não queriam causar terror na cidade com aquela história macabra. Durante alguns anos, se comentava no bairro sobre o que aconteceu. Sem saber o que realmente tinha ocorrido, especulava-se que o jovem Rodrigo tinha se transformado em um monstro que assassinou os temidos irmãos veneno; mas o próprio tempo; se encarregou de fazer da história uma lenda e leva-la para os arquivos do esquecimento. 

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