POESIA: FILOSOFIA DO INVASOR

exaustos da luta,

descansamos em travesseiros de pedra;

o gosto amargo da verdade,

invade nossas bocas,

com seu ácido veneno…

a euforia do vencedor e o desespero do vencido,

se misturam em loucos gritos;

a liberdade, que já nasceu morta,

assombra nossos ingênuos corações,

enquanto tentamos lavar as mãos em águas sangrentas…

chamas incontroláveis consomem a cidade,

destruindo histórias e tesouros…

Sonhos e futuros se dissolvem na fumaça…

a calmaria que emana das valas profundas,

enregela nossos ossos;

corpos inocentes adubam a terra,

 fecundos jardins da morte…

sem tempo para lamentar,

trocamos as fardas imundas,

esquecemos nossos crimes,

e pedimos,

em orações cuspidas ao vento,

que aqueles que amamos,

jamais encontrem seres iguais a nós.

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