POESIA: TOLA NOSTALGIA

Arrasto os pés no cascalho,

o som irritante me remete a outros tempos…

Há sempre um sol novo no céu,

testemunha de atuais momentos…

Eu te encontrava ali,

perto do salgueiro-chorão…

Sonhávamos sonhos impossíveis,

em nossa juventude de ilusão…

A árvore, tal como eu, está apodrecendo;

somos dois velhos corpos,

ambos estamos morrendo…

Em breve sumiremos,

não faremos parte de mais nada…

O amor que vivi se perdeu, murchou,

baixa de guerra, fim de jornada…

Uma foto apagada resume a nossa história,

felicidade falsa impressa em papel…

Por que tudo sempre é mais bonito na memória?

Não há nada tão patético quanto a saudade…

Por isso, sigo me arrastando,

deixando fiapos de lembranças secas pelo caminho,

enquanto trilho meus últimos metros de indignidade…

A vida, como o pior dos carrascos, é isenta de piedade.

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