CONTO ERÓTICO: SOL EM GÊMEOS

Daiane ouvir o sinal tocar e deu sua aula por encerrada. Na verdade, a chuva havia feito com que menos da metade da turma comparecesse. Juntou suas coisas e já no corredor foi alcançada por sua amiga, Cíntia.

– Apressa o passo que hoje tem bolo na sala dos professores. – Cíntia disse quando estava próxima a Daiane.

– Por que é dia dos namorados?

– Claro que não, é aniversário do Gustavo. – Hum, o substituto de Educação Física que povoava os sonhos de Daiane nos últimos tempos.

Daiane sorriu concordando e pensando no moço. Seria impossível não admitir como Gustavo era gostoso. Lembrou de um sonho recente que havia tido com ele e sentiu o rosto corar com a lembrança deles se pegando. Desde o primeiro sonho, imaginava como seria dar uns beijos nele.

Olhou com desgosto para o céu nublado e como esperando uma deixa, ouviu trovões. A chuva não parecia que daria trégua e ela nunca havia sido muito fã de dias de chuva.

Já na sala dos professores, o clima era de camaradagem. Todos pareciam gostar do professor substituto e alguns haviam inclusive trazido presentes.

– Todo mundo sabia que era aniversário dele? – Daiane perguntou a Cíntia.

– Ele avisou na segunda.

– Não lembro.

– Bem sua cara.

O pessoal cantou um desafinado “parabéns” para Gustavo e ele, sorrindo agradeceu os cumprimentos de todos.

Daiane pegou um pedaço de bolo, muito bom por sinal e percebeu que Gustavo não comia. Se aproximou dele e resolveu perguntar sobre, puxando assunto.

– Não vai comer seu bolo?

– Ah eu não, trouxe para comemorar com vocês mesmo.

– Está de dieta? – Claramente não precisava de dieta.

– Não, sou intolerante a lactose. – Respondeu com tranquilidade, se virando para Jonas, o professor de geografia que o chamava.

Pouco tempo depois era hora de voltar à sala de aula. Tinha o total de 5 alunos na turma do sexto ano e acabou acatando o pedido das crianças para passar um filme. Foi até a biblioteca de mídia e viu que a tv já havia sido solicitada. Viu quem tinha pedido e era Gustavo.

Se dirigiu até a sala do quinto ano onde ele estava e bateu na porta. Gustavo atendeu e ela reparou, mais uma vez, no quanto ele era bonito. Ele sorriu com simpatia e Daiane explicou que também queria passar um filme para a turma dela.

– Aqui tenho seis alunos. – Gustavo disse. – Você tem quantos?

– Cinco.

– Podemos colocar eles todos na sala de multimídia então, que acha?

– Pode ser!

– Te vejo lá logo.

Daiane foi até sua turma e juntou os alunos, levou para a sala de tv e os alunos de Gustavo já estavam se sentando. Daiane se posicionou no fundo da sala, de onde teria uma boa visão da turma, Gustavo estava conectando a tv e apagando as luzes.

Gustavo se aproximou dela, e se sentou próximo a Daiane. Sorriu e mesmo na penumbra Daiane o achou tranquilo e confiante.

Ele pegou o celular e parecia concentrado. Mesmo sabendo que era um comportamento desagradável, ela esticou os olhos para o celular dele, esperando ver fotos, mas percebeu que ele lia. Gustavo percebeu que ela observava e desligou a tela do celular. Cochichou para Daiane:

– Desculpa mergulhar no celular assim, é que estou relendo Carta ao Pai e a capacidade de análise e argumentação do Kafka faz dessa carta um documento dos mais importantes da literatura.

– Gosta de Kafka? – Daiane perguntou, surpresa.

– Menos do que de Nietzsche, admito. Mas gosto muito.

Daiane olhou para Gustavo com curiosidade. Lindo, alto, forte, a voz baixa e gostosa. E agora tinha que lidar com o homem falando de Kafka e Nietzsche? Impossível.

Fez alguns comentários sobre Metamorfose e gostou da maneira que ele respondeu. Logo percebeu que ele realmente era um apreciador de Kafka e gostou do que ele disse. Não resistiu a responder:

– Meu tcc foi sobre a narração na modernidade, uma leitura de Kafka através de uma teoria de Walter Benjamin.

Gustavo olhou para ela um minuto inteiro antes de responder, Daiane achou que ele a tinha considerado metida e já pensava numa maneira de corrigir o acontecido, de repente, queria muito que ele simpatizasse com ela.

– Estou sem palavras. Linda eu sabia que você é, inteligente também achava. Mas isso? Uau.

–  Ah, bom, gosto de literatura.

– Eu também. – Ele sorriu dizendo. – Musculação para o corpo e Kafka para a mente.

Daiane sorriu pensando em como aquele moço bonito era dual. Se sem saber disso, só vendo ele já andava tendo sonhos eróticos, imagina agora?

O sinal bateu e Daiane se encaminhou para a porta, os alunos deveriam ir para a sala, mas num rápido acerto com o próximo professor, continuaram ali. Gustavo saiu um minuto antes dela, se despedindo com um “até mais”.

Daiane deixou as coisas em ordem e saiu, teria o último horário livre então foi até a sala dos professores para pegar o restante das suas coisas e ir. Gustavo estava lá, tomando um café. Daiane decidiu pegar um pouco de café também.

– O café aqui é muito gostoso. – Gustavo comentou, Daiane percebeu que ele olhava para os lábios dela quando falou.

– Também acho. – Ela falou, mantendo os olhos nele.

– Tudo aqui é gostoso, sentirei falta. – Ele disse olhando em volta.

– Fica até quando?

-Só os quatro meses da licença maternidade da Isa.

– E vai até quando? – Daiane voltou a perguntar.

Gustavo riu e Daiane manteve um silêncio digno, apesar de não entender o motivo do riso.

-Não se lembra quando eu comecei?

-Desculpa, mas não. É que faz um certo tempo já.

– Faz mesmo, mas foi no dia 18 de março. Sabe que dia é esse? – Ele perguntou brincalhão.

– Meu aniversário.

-Sim, seu aniversário. Você trouxe um bolo e quando declinei do oferecimento, me perguntou se eu estava de dieta. Tal qual hoje, eu te disse que tenho intolerância a lactose.

– Sério? – Foi a vez da Daiane de rir, – Nossa, esqueci completamente.

– Você é meio desligada né?

– Eu? Eu não. – Mas a verdade é que era, sempre comentavam. Sempre tinha muitas coisas na cabeça de uma vez, por isso acabava se distraindo.

– É sim, mas é tanto que não repara. Acho que é porque você é de peixes.

– Pronto. Não vai me dizer que acredita em horóscopo de coisas desse gênero? Gustavo, você é fã de Nietzsche. Signos? Não pode ser.

-Sou fã de Nietzsche, mas tenho Sol em Gêmeos.

– Não sei o que isso quer dizer, mas ok. – Daiane respondeu, cética.

– Não faz mal a ninguém e é sempre um bom tópico para conversas. – Ele disse dando de ombros. – Além disso, por vezes, as pessoas não querem ouvir a verdade…

– … porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas. – Daiane completou a citação e encarou Gustavo, se demorando na boca bem desenhada. Lembrando do sonho que havia tido com ele, ouvindo apenas o barulho da chuva. Ele estava tão perto, bastaria fechar os olhos.

– Você é incrível. – Ele disse e Daiane se inclinou para ele se enchendo de uma coragem que não sabia que tinha, ofereceu a boca para um beijo. Só um beijo, que mal poderia fazer?

Daiane sentiu os lábios de Gustavo nos dela, esperava um beijo suave, mas recebeu um beijo quente e cheio de energia. Eles estavam de pé próximos um do outro e Gustavo a tomou em seus braços. Daiane se sentiu acolhida pelo abraço, mas antes que pudesse desfrutar totalmente a sensação, Gustavo tinha a trazido para mais perto, mais apertado, mais estreito e ela sentiu toda a força do corpo dele colado ao dela.

A língua dele conseguia ser macia e exigente ao mesmo tempo e quando Daiane afastou um pouco o rosto, tentando se reencontrar, Gustavo segurou seu cabelo com uma das mãos, expondo seu pescoço e mordendo, os dentes marcando a pele dela, os lábios mornos repousando em cima da veia que pulsava forte. Daiane suspirou e se afastou, olhando para a porta e olhando para ele também, dividida entre a vontade de voltar aos beijos e a necessidade de manter a postura no ambiente de trabalho.

Gustavo voltou a puxá-la para seus braços, Daiane passou as mãos pelos braços dele, coisa que sempre pensava em fazer quando o via. Tocou-o nas costas, no pescoço e segurou o cabelo dele com as duas mãos, puxando com força, o que ele pareceu não notar. Ela beijou o rosto dele, o pescoço, corria a língua por sua pele e o mordeu no queixo. Ouviu ele suspirar e voltaram a se beijar.

Os beijos foram se tornando mais e mais intensos, Daiane já não se preocupava mais em estar num lugar totalmente inadequado, só queria prolongar a situação. Gustavo segurou ela pelo quadril e a fez encostar nele, mesmo ambos estando de jeans, era nítido que ele estava duro. Sem conseguir resistir, Daiane gemeu. Gustavo segurava a bunda dela e Daiane rebolou no corpo dele, se esfregando, sentindo toda a dureza dele. Gustavo levou a mão de Daiane até o pau dele e depois de sentir toda a extensão e ter o prazer de ouvir ele gemer, ela se afastou. Passou a mão em seus cabelos e percebeu que tremia levemente. Gustavo a encarava, aguardando.

– Não dá. Pode chegar alguém a qualquer minuto.

– Vai mandar um homem nessa situação para casa? – Ele perguntou, o pau bem marcado na calça.

– Se serve de consolo, não estou muito melhor que você.

-Não serve. E se você também quer, vamos resolver isso agora. – Ele disse tentando abraça-la novamente.

– Aqui não. – Ela falou se desvencilhando dos braços dele, mas não sem sorrir diante da determinação que ele mostrava em continuar. Era melhor que seu sonho, com certeza.

– Então se aqui não, vamos há outro lugar.

Daiane pensava e teve uma ideia que era tanto ousada quanto prática.

– Você está a pé, não é?

– Estou.

-Então vem, vou te dar uma carona.

Saíram sem falar mais nada, tinham pressa e não tiveram dificuldade nenhuma em dar uma pequena corrida na chuva até o carro de Daiane. Ela ofereceu a chave a ele:

– Você dirige, já que não sei para onde você está indo.

Gustavo pegou a chave e deu partida no carro, a chuva continuava forte e o trânsito era lento. Pararam em uma rua aguardando a vez de continuarem, Daiane aproveitou para beijá-lo novamente. Gustavo correspondeu ao beijo e Daiane passou a mão pelo peito dele, pelas coxas…. Beijava o pescoço dele, os braços. Ele voltou a dirigir e Daiane colocou a cabeça no peito dele por um minuto inteiro, antes de tomar coragem para passar a mão pau dele, depois no cós da calça. Soltou o botão e tocou ele por dentro da cueca. Gustavo dirigia devagar, dividindo a atenção entre o trânsito chuvoso e a mulher ao seu lado. O silêncio entre eles era carregado de tensão, como a chuva lá fora.

Daiane se abaixou e arrumou uma posição para fazer o que queria: deixar o pau dele livre para ela chupar enquanto ele dirigia. Quando ele percebeu a intenção dela, ajudou como pode e muito rápido, Daiane o tinha em sua boca. A pele dele era quente, o cheiro era bom e o sabor, melhor ainda. Ela o lambia sem pressa, explorando a glande, puxando a pele, a língua percorrendo toda a extensão dele. Raspou as unhas pelas coxas dele, enroscando os dedos nos pelos. Daiane ouvia a respiração pesada de Gustavo, o barulho da chuva e só desejava poder continuar. Queria ele e estar tão próxima disso e ficar na mão, era frustrante.

Percebeu que ele parava o carro e levantou a cabeça.

– Chegamos?

-Ainda não. Passa para trás. – Ela entendeu e passou para trás, o coração acelerado em antecipação. Gustavo colocou os bancos o mais para frente possível e se juntou a ela. Novamente a beijou, dessa vez deitando-a sobre o banco do carro. Daiane abriu as pernas para ele, mas Gustavo as juntou, soltando o jeans e tirando sem esforço. Ela ficou semi nua diante dele, Gustavo beijava os seios dela por cima da camiseta. Daiane tirou a camiseta, ficando de calcinha e sutiã diante dele enquanto ele tirava a camiseta e abria mais a calça, baixando o suficiente para não ter os movimentos restringidos.

-Linda. – Ele disse antes de mergulhar o rosto no colo dela, beijando os seios, tirando-os de dentro do sutiã e chupando com desejo. Ela arfava e desfrutava do momento, concentrada em aproveitar cada minuto. Quando ele a lambeu por cima da calcinha, Daiane se sentiu trêmula. Ele tirou a calcinha dela e quando os lábios dele a tocaram, Daiane sentiu o corpo formigar. Chupava sem pressa, a língua e os lábios estimulando o corpo dela em pontos sensíveis, de uma maneira que fazia Daiane se sentir ao mesmo tempo leve e estática. A chuva havia aumentado e outros carros também esperavam para poder continuar, Daiane se perguntava se dentro de algum deles teria alguém tão satisfeito quanto ela estava.

– Sabe quantas vezes eu quis fazer isso? – Gustavo perguntou enquanto se posicionava sobre ela, o corpo pesado fazendo uma pressão deliciosa.

– Menos que eu, com certeza. – Daiane respondeu correndo as mãos pelas costas dele, rebolando para se encaixar direito no corpo de Gustavo.

– Sonhei com isso. – Ele disse voltando a chupar os seios dela, enquanto com a outra mão massageava-a entre as pernas.

– Eu também.

Eles não notavam o desconforto do local onde estavam, não pensavam que alguém poderia vê-los ali, se concentravam apenas um no outro e no desejo que sentiam no momento.

Gustavo penetrou Daiane, que o recebeu dentro de si com volúpia, arqueando o quadril de encontro ao dele ampliando o alcance da penetração. Ele saiu de dentro dela e mais uma vez foi chupá-la, Daiane sentia a língua dele, morna e úmida em sua pele e respirando fundo, sentia o orgasmo se aproximando, se avolumando em seu ventre até explodir em seu corpo. Gustavo continuou chupando-a por mais um momento, mudou de posição e a penetrou novamente. Ele arremetia contra ela, mantendo-a em seus braços, beijando seu rosto, seus lábios e seu pescoço. Daiane mordeu a clavícula dele, as mãos puxando o quadril mais para ela, as unhas arranhando a pele macia dele.

Ele se sentou, Daiane imediatamente se posicionou sobre ele, os movimentos mais livres. Beijando-o, um beijo profundo, enquanto sentia os espasmos de um novo gozo se aproximarem, o atrito dos pelos curtos dele com o clitóris dela, a penetração. Olhou o rosto lindo de Gustavo e gozou novamente, sentindo o corpo relaxar, quase flutua. Ele a observava, falava coisas desconexas, as palavras perdidas em meio ao desejo. Daiane não entendia, nem queria entender. Não procurava outra coisa ali, a não ser se perder.

Novamente mudaram de posição, Daiane encostou no banco, as pernas bem abertas, Gustavo a se ajoelhou diante dela e puxou o quadril em direção a ele até penetrá-la novamente. Eles intensificaram os movimentos, olhando o rosto um do outro, mais do que conhecendo, se reconhecendo.

Daiane sentiu ele aumentar o ritmo, a respiração se tornar mais forte, Gustavo fechou os olhos e ela recebia as investidas fortes dele com prazer e quando ele gozou, deitou o rosto na barriga dela, Daiane passava as mãos no cabelo dele e olhou em volta pela primeira vez no tempo que estiveram ali.

A chuva continuava forte, garantindo a privacidade deles e ela sentiu que poderia continuar ali ainda mais tempo, mas sentiu Gustavo sair de dentro dela. Ele a beijou novamente e se vestiram voltando para o banco da frente. Dessa vez, Daiane pegou o volante.

-Você vai para onde? – Ela perguntou colocando o carro em movimento na rua molhada.

– Para casa, e você?

– Também. Onde você mora?

Ele disse e Daiane dirigiu para lá, ouvindo ele falar sobre o condomínio em que morava e traçar paralelos entre os moradores e os colegas professores deles, com a mão tranquilamente descansada sobre a coxa dela fazendo movimentos circulares com os dedos. Daiane se divertia com as comparações e rápido demais, chegaram.

Não desligou o carro e Gustavo se inclinou para beijá-la mais uma vez.

– A gente vai repetir isso né? Num lugar com mais espaço. – Ele perguntou entre beijos curtos.

– Como o laboratório? Quando estiver sem aulas? – Daiane provocou.

-Pensava num lugar com uma cama…

-Veremos.

Daiane sentiu o corpo se arrepiar com o toque dos lábios dele, com a maneira que ele conduzia as mãos pelo rosto dela, pelo cabelo.  Ele olhou as horas e disse, por fim:

– Preciso mesmo ir.

– Eu também preciso ir, preciso de um banho urgente.

– A gente se fala depois, então.

-A gente se fala.

-E boa tarde, Daiane. – Gustavo disse saindo do carro e correndo em direção à porta, fugindo da chuva. Ela olhou ele sumir na distância, sem deixar de reparar na bunda gostosa dele.

-Sim… Muito boa.

Ligou o rádio e se foi, abençoando a chuva e o Sol em Gêmeos, mesmo que não soubesse exatamente o que isso significava.

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