PROSA POÉTICA: A CASA INTEIRA

A casa inteira tomou outra cor outro vento e ruído.

Pendia para um lado. Parou. Tão magra. E tinha o jeito que ela me encarava enquanto aguardava.

                   Busquei tia Nanzita no quarto dos fundos. Falei de destemor. De fé. De paz. Falei-lhe de paz. Antes, fechei na sua mão o terço antigo com  o crucifixo de pesada prata.     

                     Em silêncio seguimos até a sala.

Lá estava ela. O rosto de cera. E os olhos. As mãos estendidas. Os dedos pontudos. Depois. 

Depois o rastro no chão que atraía insetos. Os latidos dos cães de rua somados ao meu grito. O ano por terminar. A casa toda aberta.

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