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Crônica Grazielle Pacini Segeti

CRÔNICA: POESIA DA VIDA

Vivemos uma era de ódio, ofensas e intolerância. O que estará faltando na vida das pessoas, além de educação e bom senso?

Há quem diga que alguns deveriam ter apanhado mais quando crianças, outros dizem que eles agem de determinada maneira por terem apanhado demais. Não existe uma resposta certa. A vida não é uma ciência exata, é uma ciência humana.

Ao contrário das ciências exatas onde, inquestionavelmente, dois e dois são quatro; nas ciências humanas as coisas têm brilho, vida, cor, têm humor e falta de humor, têm poesia.

A poesia é o melhor remédio para um coração partido, para o abandono, para uma comemoração; poesia é ritmo, é o nosso olhar para o mundo. Poesia é liberdade.

A cada dia compomos um poema diferente. Nosso levantar, nosso caminhar pela praia ou pelas ruas poluídas e congestionadas da cidade, nossa convivência diária, tudo é matéria para o poema que estamos traçando.

Alguns poemas são compostos na forma de um haikai, esses costumam ser mais tristes, nunca estamos preparados para uma poesia tão breve. Outros, assim como uma epopeia, levam anos para se completarem; meu avô produziu sua poesia por 94 anos, acho que meu pai parou cedo demais de escrever, encerrou aos 66 anos; ainda havia muito o que escrever.

Não precisamos buscar inspiração, a vida nos dá de presente.

Nossa poesia não precisa ser rebuscada e cheia de floreios, essas são mais chatas, as pessoas costumam não admirar muito, torna-se uma leitura cansativa. As poesias mais belas são as mais singelas, simples no vocabulário, fácil de ler e compreender. Essas são sinceras, são o espelho de nossas almas.

É crucial que nossa poesia seja repleta de amor. Não sabemos quando colocaremos nosso ponto final, mas todos os poemas o têm.

O que importa é que nosso texto permaneça vivo para que outras gerações o tomem de exemplo e apreciem sua leitura.

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CRÔNICA DOS SENTIDOS

Estudar as características de uma crônica, entender sua forma e estilo não são o suficiente para torná-la aprazível de se ler. A temática é importante, no entanto, muito subjetiva; difícil agradar a todos.

Escrever uma crônica é um desafio e maior ainda é o desafio de fazê-la penetrar no leitor e aguçar todos os seus sentidos.

Quero uma crônica que faça meu leitor enxergar além das palavras nela escritas; algo que o faça ouvir a voz do texto de maneira tal, que o texto crie vida.

Quero uma crônica que permita a todos sentirem o aroma das letras e dos sinais, cada qual com sua particularidade, exalando seu cheiro através do papel, criando um perfume que desperte o prazer da leitura.

Quero que sintam a folha nas mãos, o toque suave da seda ou o grotesco jornal, dobrando as folhas com ternura ou, simplesmente, as amassando e descartando para sempre.

Quero aguçar o sabor da obra no paladar do leitor e que ao fim, ele possa declarar seu deleite, avassalado, pensativo, ou quem sabe raivoso, mas quero incitar essa explosão de sentidos nos leitores e em mim.