Categorias
Hanna Carpeso Poesia

POESIA: EU SONHO O MUNDO E JOGO EM CAMPO ABERTO

Eu sou o Mundo.

Vago orbe – sem limite

         Adentrado em campo estrelado

         Mar de ar me reveste com cuidado 

Giro na roda do fogo

Rodopio entre dia e noite

         No tapete escuro sideral

         Sou bola azul, a jogar no gramado espacial.

Acredito ser único – planeta vivo

Apartado o céu da terra – delineado

         Driblando  livre pelo firmamento 

         Onde encontro assento

         Num jogo  de avassaladores

Sou  um mundo particular – do eu

Sou um  mundo universal- do seu

         Sei que o jogo é  marcado pelo  tempo

         A escoar na  ampulheta  cósmica

         Mesmo com atividades sísmicas

Sou um mundo jogador

O que  veio para  mudar e ficou

         Faço meu jogo bem pensado

         Pois são dois tempos  bem marcados

Sair de rotas programadas

 Quebrar regras alinhadas

         Passar dos 45 minutos solar

         Terminar nos 45  minutos luar

Colidir   com um cometa

Para subtrair sua proeza

Riscar o céu com a certeza

De se tornar vencedor

         Enquanto um tiro de meta

         Desobedece ao  juiz

Desafio  de um corpo celeste apagado

Na busca de brilho  ousado

         Corro pela lateral em busca

         De um buraco negro

         E nele meter um gol

 Ser um mundo destacado

 Pelo universo invejado

          Arremetido ao pódio 

          E ser cantado por trombetas

         Eis o sinal da vitória

E na glória de ser o rei

Em sol se transformar

Categorias
Hanna Carpeso Poesia

POESIA: A DOR DA NÃO DESPEDIDA

Dizer adeus é dolorido

Vais embora sem abraço

Não te olhar, me despedir.

É dor que nunca vai calar

Meu luto será eterno

Jamais poderei me perdoar

Hoje partiste sozinha

Proibido estar ao teu lado

Vá tranquila segue o caminho

Deus está à tua espera

Categorias
Hanna Carpeso Poesia

POESIA: CALIGRAFIA DE SANGUE

Proibido de escrever

Escondia-se na penumbra

Regia a pena unindo formatos

Escrita de letras – desafio

Linhas tortas- inevitáveis do manuscrito cego

Conduzia o pensamento 

– endereçado

Descoberto seu refúgio 

Teve dedos das mãos amputados.

Enquanto não era aprisionado,

Deixava suas últimas palavras 

Mensagem de sangue 

– caligráfico

Categorias
Hanna Carpeso Poesia

POESIA: ÊXTASE

Descia a avenida de braços abertos.

 Abraçado ao vento, gritando paixão.

Embriagado pelo prazer vivido – chamava atenção

Indiferente às pessoas que nunca o tinham visto

Espalhava seu êxtase por toda a parte

Mergulhado na onda do vício testado

Ébrio de alegria nas visões alucinadas

 Seguia firme seu trajeto na cidade

E, tão indecentemente feliz.

Braços abertos a abraçar o tudo

Não havia  quem  impedisse o seu passar

Declarava seu amor ao mundo

Agora não mais andava – corria

Em direção à miragem perdida

Perplexo, interrompida sua busca.

Parou. A procura de um sinal

Mal sabia, o cruzamento fatal

 Onde o excesso da emoção contida

Explodiria o seu coração na avenida

Categorias
Hanna Carpeso Poesia

POESIA: QUE VONTADE

DE: HANNA CARPESO

QUE VONTADE

Que vontade de me esparramar na grama

Roçar na relva, sujar-me de terra

Que vontade de me lambuzar de folhas

Cobrir-me de flores e perfumada ficar

Que vontade de voar com as abelhas

Pousar nas floreiras e o mel  degustar

Que vontade de rolar pelo monte

Ralando entre  pedras

Que não vão machucar

Que vontade de  deitar na areia

Cobrir-me com ondas que o mar vai levar

Que vontade de mergulhar

E pensar que só posso fazê-lo de olhos fechados

A imaginar

Sentir-me presa emparedada  percebo

Do quanto do mundo não soube aproveitar.