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Hanna Carpeso Poesia

POESIA: A DOR DA NÃO DESPEDIDA

Dizer adeus é dolorido

Vais embora sem abraço

Não te olhar, me despedir.

É dor que nunca vai calar

Meu luto será eterno

Jamais poderei me perdoar

Hoje partiste sozinha

Proibido estar ao teu lado

Vá tranquila segue o caminho

Deus está à tua espera

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Hanna Carpeso Poesia

POESIA: CALIGRAFIA DE SANGUE

Proibido de escrever

Escondia-se na penumbra

Regia a pena unindo formatos

Escrita de letras – desafio

Linhas tortas- inevitáveis do manuscrito cego

Conduzia o pensamento 

– endereçado

Descoberto seu refúgio 

Teve dedos das mãos amputados.

Enquanto não era aprisionado,

Deixava suas últimas palavras 

Mensagem de sangue 

– caligráfico

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POESIA: ÊXTASE

Descia a avenida de braços abertos.

 Abraçado ao vento, gritando paixão.

Embriagado pelo prazer vivido – chamava atenção

Indiferente às pessoas que nunca o tinham visto

Espalhava seu êxtase por toda a parte

Mergulhado na onda do vício testado

Ébrio de alegria nas visões alucinadas

 Seguia firme seu trajeto na cidade

E, tão indecentemente feliz.

Braços abertos a abraçar o tudo

Não havia  quem  impedisse o seu passar

Declarava seu amor ao mundo

Agora não mais andava – corria

Em direção à miragem perdida

Perplexo, interrompida sua busca.

Parou. A procura de um sinal

Mal sabia, o cruzamento fatal

 Onde o excesso da emoção contida

Explodiria o seu coração na avenida

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POESIA: QUE VONTADE

DE: HANNA CARPESO

QUE VONTADE

Que vontade de me esparramar na grama

Roçar na relva, sujar-me de terra

Que vontade de me lambuzar de folhas

Cobrir-me de flores e perfumada ficar

Que vontade de voar com as abelhas

Pousar nas floreiras e o mel  degustar

Que vontade de rolar pelo monte

Ralando entre  pedras

Que não vão machucar

Que vontade de  deitar na areia

Cobrir-me com ondas que o mar vai levar

Que vontade de mergulhar

E pensar que só posso fazê-lo de olhos fechados

A imaginar

Sentir-me presa emparedada  percebo

Do quanto do mundo não soube aproveitar.