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Jeane Tertuliano Poesia

POESIA RITMADA E LASCIVA

Proibido?

Sim,

Mas ele a queria

Sem demora,

Sem pudor.

Olhou nos olhos dela

E sussurrou

Sugestivamente:

Há pouca gente por aqui…

Estavam numa praça pacata,

Sentados debaixo duma árvore,

Simulando um piquenique

Que exalava luxúria

Incontida e crua.

Beijaram-se lentamente,

Até o contato inicial

Dar brecha ao desejo visceral.

Mãos-bobas se fizeram fecundas,

Despertando a ânsia carnuda.

À sombra, ninguém via

A poesia ritmada e lasciva

Que ecoava daquela sintonia.

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Jeane Tertuliano Poesia

POESIA: SEQUELA DO AMOR

O tempo chicoteia a memória

i n c e s s a n t e m e n t e.

Entretanto, o sádico ignora

um pequeno-grande porém:

quando se ama alguém,

esquece o esquecimento;

resistindo, assim, ao tormento.

O romântico é,

primordialmente,

um semideus:

mediante a prévia do fracasso,

concebe um desfecho do seu agrado,

crendo piamente na sua veracidade.

Devaneando no mar do amor genuíno,

fica insone e dá asas ao vil desatino:

chora e ri de si mesmo ao naufragar.

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Jeane Tertuliano Poesia

POESIA: ENVERGONHADA

Branca como a lua
e luzente do alto privilégio
que é haver nascido
da cor que não a apontam
com infindáveis impropérios.

Eu sou favorecida
mesmo sendo pobre,
pois em meio àqueles referidos
pela cor, sou tida como superior.

Beneficiada, sim, eu reconheço!
O que eu fiz para merecer
tamanho apreço se em minhas veias,
assim como as de quaisquer pretos,
também flui sangue vermelho?

Apadrinhada sem padrinhos:
assim reverbera o destino.
Envergonhada, eu busco rimar
o perdão que a minha cor
não merece conquistar.