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Joyce Nascimento Silva Poesia

POESIA: SOBREVIVENTE

A peste venenosa anda buscando mais moribundos.

Meu amigo pegou

O vizinho do lado também

E agora eu

Infectado com o vírus viajante

Não me recordo se veio pelo espirro

Ou pela tosse do amigo

Lembro que conversávamos e apertávamos nossas mãos.

Logo veio tosse, febre, coriza, dor de garganta

E dificuldade para respirar.

Teste

Mais teste

Resultado…

O maléfico estava em mim. 

Depois de dias no hospital,

Graças aos médicos e enfermeiros, sobrevivi.

E agora escrevo para ti, 

Pois não sou mais um contagioso, 

Mas um sobrevivente. 

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POESIA: TUDO DÓI

Dói orelha, ouvido e pâncreas

Dói pé, dedo e coração

Dói umbigo, virilha e intestino

Do cabelo ao cílio

Do nariz ao pulmão

Do olhar ao tendão

Dói para falar

Para cuspir

E amar.

Tudo isso, dói.

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POESIA: MADRUGADA

A madrugada é silenciosa.

O cachorro da vizinha não ladra, nem as roupas íntimas balançam no varal.

Tudo parado,

tudo quieto,

tudo em paz?

As nuvens no céu têm duas cores, porém o daltonismo não me deixa distinguir

entre rosa e o azul,

ou vermelho e lilás?

Não, eu não sei.

Poucos carros na rua, motoristas que nunca vi antes.

Não sei quem são,

não os conheço.

O meu coração vai com os viajantes no banco traseiro.

As luzes lá longe piscam,

piscam feito pisca-pisca na antiga comemoração natalina.

E a madrugada permanece assim…

Silenciosa,

ora úmida, ora fria.

Sem ninguém andando na rua,

calçadas vazias.

Assisto tudo isso da janela do meu quarto, aguardando algo novo para o próximo dia,

mas continuo apreciando esses fenômenos, sem cessar, ao longo da pandemia.

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POESIA: A MENINA

Nunca fui a garota de Ipanema
Nem sei chegar lá.

 
Nunca fui a menina do tempo
Só conheço uma estação.
 

Nunca fui a popular da escola
Não usava minissaia nem batom. 
 

Acho que sempre fui assim...
Invisível.
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POESIA: AQUELE QUE HABITA EM MIM

De: Joyce Nascimento Silva


Todos os dias ele percorre o meu corpo

No interior faz a sua morada

Dia após dia ocupa mais espaço

Ontem vomitei

Hoje cuspi

Amanhã não sei o que será…

As enxaquecas aumentam

Febre e calafrios

Muitos calafrios

As pastilhas não dão resultados

Parecem balinhas na boca sem eficácia

Chamem o médico! Eu ouvi do quarto.

Não consigo nem me levantar para tomar café.

Roupas úmidas e mornas, molhadas pela temperatura elevada

A cama virou minha melhor amiga

Entre travesseiro e lençóis

Paredes que relatam bem a dor e sofreguidão

Animal?

Humano?

A mente confunde e mistura minha existência.

Não sei quando irá cessar

Mas sei que tudo começou três semanas atrás,

Foi quando ele passou a habitar em mim.


“«Propheta, ou o que quer que sejas!

         «Ave ou demonio que negrejas!

«Propheta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno

         «Onde reside o mal eterno,”

O Corvo – Edgar Allan Poe