Categorias
Leandro Emanuel Pereira Poesia

POESIA: PERSONA

Como bicho social, o ser humano aprende a posicionar-se em
várias esferas. Por vezes, tal camaleão, ajusta o seu perfil ao
momento e contexto. Mas poderá dizer-se que deixa de ser
ele próprio? Ou serão essas várias Personas, peças do puzzle
que constituem o indivíduo na sua vertente holística?

Em quantos eus me subdivido?

Serão muitas as histórias?

Qual a persona onde me abrigo?

Duras são as respostas…

Em Roma sê romano;

Diriam os antigos;

Com o seu conhecimento;

De postulados primitivos…

Mas eu, como pequeno pedaço de céu;

Jamais me comportarei decentemente;

Serei somente eu;

Propalando paradigmas num mundo descrente…

Joia rara de faminto ultraje;

Que vaticinas para mim?

Um lúdico engaje?

Loucura e frenesim?

Se puder sentir o futuro;

Escolherei apenas ouvir o mar;

Nada saberei do destino duro;

Livre estarei para amar…

Clarividência para que te quero?

Se me ousas importunar;

Quando me embaraças considero;

A minha alma libertar…

Categorias
Leandro Emanuel Pereira Opinião Poesia

POESIA: O MAR NÃO SE ABRIRÁ PROS JUSTOS

Introdução:

Temo o extremismo. Temo pelo facto de compreender o perigo que representa para a liberdade de cada cidadão, ainda que consubstanciando sempre que a liberdade de cada um de nós deve estar sempre alinhada com princípios morais e éticos subjacentes ao bem comum, algo que parece chocar com os agentes da modernidade líquida descontruida por Zygmunt Bauman, que em prol do propósito individual, parecem esquecer-se da empatia. Portanto, percecionamos hoje muitas pessoas que se fecham numa bolha ideológica, pois servem-se de uma panóplia de argumentos, para aguçar o seu ego em vez de promoverem uma sociedade mais justa. Juntemos a esta equação a ignorância, que nos impede de compreender a história, a ciência, e sobretudo nos prejudica a capacidade de aprender a pensar. Desta mescla de factores vemos e sentimos o que não queriamos percecionar, tal como o racismo estrutural que por vezes parece tão vivo como no período da colonização.

O mar não se abrirá para os justos

Poderia ter sido;
Outro negro qualquer;
Mais um que tivesse vivido;
A dor de alma que ninguém quer…

Será em vão a morte?
Mero atrofio do destino?
Quando nos alienam a sorte;
Todo o ato parece maligno…

Poderia ter sido;
Um caucasiano genérico;
Daqueles que negam o racismo;
Em tom colérico…

Os tais que ainda não descobriram;
Que partilham o genoma;
Com aqueles que odiosamente subjugam;
Terá cura a ignorância regada com soberba?

O mar não se abrirá para os justos;
Nem para os ímpios;
Mas a terra se fechará para todos;
Sem levar em conta a cor dos seus filhos…

Enquanto poeira cósmica que somos;
Materializada fugazmente;
Em seres humanos;
Pouco exploramos a causa imanente…

O preto não pode ir para a sua terra;
Se o branco não acordar;
Um só pedaço perfez a pangeia;
A sua omissão faz o mal perdurar…

O universo não sabe da nossa felicidade;
E ignora a nossa existência;
Porque então o desgaste pela materialidade;
Se o nosso tempo a cada segundo perde fulgência?

Categorias
Leandro Emanuel Pereira Poesia

POESIA: QUEM ME ESPREITA

Quem me espreita;

Não me vê; 

Se me toca;

Logo crê…

Pois invadirei com permissão; 

Os seus segredos; 

Não tenho religião;

Mas desfaço os seus medos…

Laico de convicção; 

Estranho-me várias vezes ao dia;

Deveria interpelar a justiça da salvação; 

Por esta vida vadia…

Um poeta à solta; 

Nada mais sou;

Navegar sem escolta; 

Para isso o universo me criou…

Categorias
Leandro Emanuel Pereira Poesia

No topo da clarividência

Por: Leandro Emanuel Pereira

No cume do monte; 
No alto do vazio;
O temor faz-me fronte; 
E eu trémulo me sacio…

Lá no alto;
O vento sopra-me a empáfia; 
Mas não passa de um encanto; 
Se não voo tudo é uma falácia…

Esforço-me para compreender;
Com clarividência;
O caminho que tenho que percorrer; 
Até alcançar a sapiência…

E a cada dia que progride;
A certeza é assaz;
Pois aceito que nada me inibe; 
Desde que acredite que sou capaz…

“   Ah! bem me lembro! bem me lembro!

         Era no glacial Dezembro;

Cada braza do lar sobre o chão reflectia

         A sua ultima agonia.”

Edgar Allan Poe – O Corvo