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Elienai Pereira Poesia

POESIA: CAVALGADA

Na subida da cela,

Dá-se o início a montaria.

Passa-se uma perna

De um lado,

Encosta-se uma perna

De outro.

Na coxa acomodada

É repousada

As mãos do corpo embaixo.

Desliza-se suave

Na extensão interna

Da perna.

Na pegada dura,

Aconchega-se a cintura

Pra frente

E os dedos forçam-na

Pra trás

Lentamente.

No encaixe da nudez,

Acaricia-se o esfregar da bunda.

Logo vai…

Logo vem…

Pescoço enforcado,

Braços apoiados.

Subia…

Descia…

Na visão dos seios,

Cavalgaria.

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Jeane Tertuliano Poesia

POESIA: NORDESTINA RAIZ

Não ousarei titubear

ante o inquietante oscilar

do teu pensamento.

Tal qual Edgar Allan Poe,

se convencida estou,

não busco convencer.

Minha gana reluzente

não se põe descontente

ao vislumbrar obstáculos,

pois ela bem sabe:

a delirante hesitação

é o prenúncio do fracasso.

Eu sou nordestina de raiz

com muito forró nos quadris!

Se o ritmo vier a mudar,

ao novo compasso

irei me adequar,

porque eu sou mulher,

nasci pronta para guerrear!

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Poesia Sandra Modesto

POESIA: O MENINO

O menino fez aniversário
Antes de um feriado
Há vinte e sete anos…
Depois de raios de sol
Romper
Certa manhã
A mãe do menino viu o menino pela primeira vez
O menino NEGRO.
Foi chamado de pagodeiro pelo obstetra.
O menino não ouviu o adjetivo
A mãe entendeu a ligação.
História. Oh, a história.
Numa terça- feira de 2019
A mãe presenteou o menino
Ele pediu um pandeiro.
O menino, o amor, a mãe, o olhar.

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Déa Araujo Poesia

POESIA: ENCANTAMENTO

Encantou-me o modo como me olhou

Encantou-me o jeito como me sorriu

Encantou-me seu dizer sem palavras

Encantou-me seu toque à distância

E de tanto encantamento

Meu canto saiu em forma de poema

E minha boca beijou

As palavras que dançaram no ar.

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Laura Assis Poesia

POESIA: PRELIMINAR FEBRIL

A chuva caindo fina, morna

Me observando através da vidraça

E me prendendo numa mordaça

Em ebulição o que eu sinto, entorna

Eu tiro cada peça de roupa lentamente

Observada apenas pela chuva leve

Que se caísse sob minha pele, seria neve

Desaparecendo ligeira e sutilmente

Ansiava que você me observasse

Por trás de uma cortina, de uma lente

E talvez pudesse ler a minha mente

Surgindo à minha porta, me abraçasse

E eu abandono a chuva, a janela

E me sento em frente ao espelho, reflexo

Sinto minha pele, meu corpo, o sexo

Quase nua e no som a voz de Ella

Caras e bocas me olhando, pensando

Se assim fico mais sexy ou mais bela

Fecho os olhos, te vejo numa tela

E danço pra você me insinuando

Me desmancho, me envaideço

Seus dedos percorrem meus cabelos

Tocam todos os meus pelos

E de mim, quase me esqueço

Não abro os olhos, tão covarde

E todo o seu corpo toca o meu

Como se ele ainda fosse seu

E o desejo contido arde…

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