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Carolina Rieger Poesia

POESIA: FOME

O mundo é pálido e mudo

Enverga sob o peso do vazio

Nada ter

E ter essa sensação sem fim.

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Joyce Nascimento Silva Poesia

POESIA: SOBREVIVENTE

A peste venenosa anda buscando mais moribundos.

Meu amigo pegou

O vizinho do lado também

E agora eu

Infectado com o vírus viajante

Não me recordo se veio pelo espirro

Ou pela tosse do amigo

Lembro que conversávamos e apertávamos nossas mãos.

Logo veio tosse, febre, coriza, dor de garganta

E dificuldade para respirar.

Teste

Mais teste

Resultado…

O maléfico estava em mim. 

Depois de dias no hospital,

Graças aos médicos e enfermeiros, sobrevivi.

E agora escrevo para ti, 

Pois não sou mais um contagioso, 

Mas um sobrevivente. 

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Jessica Iancoski Poesia

POESIA: PINGAM AS ROSAS AZUIS

No criado-mudo repousam rosas azuis 

                  [respeitando a neblina do silêncio.

Um Relógio pendula o tempo, debatendo-se

Oscilam-se os lados,

hora-esquerda,

hora-direita.

Uma rósa chóve outrá  balançá

Desprende-se

e píngá ´´´´´´´´´´:

E cai nos azulejos

Pétalas de rosas deslizam como lágrimas regando 

                                              [de azul a superfície.

Então paro, me pergunto

E desabo-tou:Quantás-batídás-até-que-se-caule?_ _ _ _ _

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Déa Araujo Poesia

POESIA: TEMPO AO TEMPO

Penso que o tempo não tem tempo para mim…

O meu amor não floresce
Nenhuma noite amanhece
Meu dia não anoitece
E nenhum sonho acontece
Minha dor não adormece
Tampouco a alma se aquece
Será mesmo que o tempo não tem tempo para mim,

ou eu que não dou tempo ao tempo?

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Paulo José Brachtvogel Poesia

POESIA: QUIMERA

A madrugada está fria.


Meus pensamentos, como as nuvens, pairam sobre o mar,


Ouço sua poesia de sons…


Meu sono navega em meio às culapadas, à procura da calmaria…

Passa das três, ela deve estar dormindo


Procuro a constelação de Órion, o caçador e seus dois Cães…


As estrelas brilham cintilantes, como refletissem a beleza dos seus olhos…

Passa das três, e no balanço das ondas deixo-me levar…


no conforto do travesseiro, meu parceiro, que tudo sabe.


É ele que sopra os versos enquanto sonho…

São oito e oito. A contragosto, do sonho desperto.


Mesmo acordado, continuo enamorado,


Perco-me subitamente nas curvas do riso daquela pequena…

Sem perder-se da vigília o coração pulsa…


A razão estremecida de vaidade, ergue e revela-se:


“Acorda-te, já te perdestes de novo?


Essa alma de poeta, coloca amor e paixão em tudo…”

Olhar quimérico, complacente,


Vejo a pedra sob a cachoeira,


Impacta sobre ela a pressão das águas,


Com o tempo ela muda,


Torna-se resvaladiça, lapida-se!


Se ela pudesse, sairia dali?


Se saísse, continuaria mudando?


Voltaria a ser bruta?

“Desadormece-te poeta desta abstração!


Ama e observa a natureza,


Pertences a ela, pertences a ti…


Sente o perfume das flores,


Senta-te na sombra da figueira,


Fica aqui, no alto rodeado de verde,


Observa lá longe e sem saudade


Os muros de concreto que a humanidade tanto ama”!