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Ana Rosenrot Poesia

POESIA: URGÊNCIA

nesta noite sem luar,

a morte é festejada nas esquinas,

e ninguém vai te censurar.

desafie a realidade,

desnude o espírito,

abandone a sanidade…

aproveite a escuridão para se revoltar,

realize inconfessáveis desejos,

viva histórias que nunca poderá contar;

enlouqueça, ria, chore, cante até cansar,

liberte seus medos, não pense no futuro,

o amanhã pode nunca chegar.

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Carolina Rieger Poesia

POESIA: AS MULHERES E SUAS CRIANÇAS

Desbravando o estreito do tempo
Elas ficam prenhes
Não só de filhos
Não só de amores
Prenhes de sonhos
e de perpetuação
na barriga nascem cidades
As leis e seus reis
Não há outro meio à força motriz
Da barriga nasce a história
Nasce toda a gente
Nasce um país
O futuro é umbilical
Seio e noite insone
Em ladeiras pedregosas
Caminham as mulheres
Suas crianças à tiracolo
Por ladeiras pedregosas
Fogem dos algozes
As mulheres e suas crianças.

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Elienai Pereira Poesia

POESIA: ALÉM DO ENGANO

Se o faço, faço consciente. O enganar é o ressurgir do encantamento naquele que manipula as circunstâncias e coloca em evidência o tracejar das emoções. A realidade que cativa o refúgio dos perseguidos, envolve a imersão da perda ao cair á onda do naufrágio. Afoga o grito desesperado de vestir a capacidade do ser real… Ah! Como gostaria de entregar a parte boa e jogar fora o que não serve. Aquilo que pertence a outrem está marcado com ferro e não se pode apagar. Não é comprado, é conquistado. E assim, como terras que possuem donos, as quais não serão invadidas, a alma delibera o que sabes. E sabes bem: – A quem eu quero enganar?

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Joyce Nascimento Silva Poesia

POESIA: SILÊNCIO

Sinto-me no porão de um casarão,

pouca luz me faz companhia.

Onde está você?

Lá fora uma tarde faceira

há uma povoação desconhecida,

dançam com o vento

param com a chuva

voam sem parar de um lado ao outro no mar.

Eu os consigo espiar pela brecha da porta e janela

mas eles não me veem.

Aqui dentro reina o silêncio

solidão

frio

vazio.

Às vezes sinto vontade de sair

de tocar nessa multidão

mas é impossível deixar este lugar.

Com isso, conforme-me em estar em silêncioem estar parado, aguardando você chegar. 

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Day Morais Poesia

POESIA: AMIGA

No canto mais escuro a vejo, tão amiga, tão querida, mas não a convido para entrar.

Ela sabe, não bate, já vem íntima como velha amiga que é.

– Fique mais um pouco, me conte outra história – eu digo – mas ela nada diz.

– Por favor então vá – digo enfim buscando forças para me libertar.

Fui tola, lhe dei munição para ficar e me intimidar. Imponente, fria, escura, é sempre assim quando ela vem me visitar.

Fique um pouco mais, escuridão, como a velha amiga que é…