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Joyce Nascimento Silva Poesia

POESIA: SOBREVIVENTE

A peste venenosa anda buscando mais moribundos.

Meu amigo pegou

O vizinho do lado também

E agora eu

Infectado com o vírus viajante

Não me recordo se veio pelo espirro

Ou pela tosse do amigo

Lembro que conversávamos e apertávamos nossas mãos.

Logo veio tosse, febre, coriza, dor de garganta

E dificuldade para respirar.

Teste

Mais teste

Resultado…

O maléfico estava em mim. 

Depois de dias no hospital,

Graças aos médicos e enfermeiros, sobrevivi.

E agora escrevo para ti, 

Pois não sou mais um contagioso, 

Mas um sobrevivente. 

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Jessica Iancoski Poesia

POESIA: PINGAM AS ROSAS AZUIS

No criado-mudo repousam rosas azuis 

                  [respeitando a neblina do silêncio.

Um Relógio pendula o tempo, debatendo-se

Oscilam-se os lados,

hora-esquerda,

hora-direita.

Uma rósa chóve outrá  balançá

Desprende-se

e píngá ´´´´´´´´´´:

E cai nos azulejos

Pétalas de rosas deslizam como lágrimas regando 

                                              [de azul a superfície.

Então paro, me pergunto

E desabo-tou:Quantás-batídás-até-que-se-caule?_ _ _ _ _

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Déa Araujo Poesia

POESIA: TEMPO AO TEMPO

Penso que o tempo não tem tempo para mim…

O meu amor não floresce
Nenhuma noite amanhece
Meu dia não anoitece
E nenhum sonho acontece
Minha dor não adormece
Tampouco a alma se aquece
Será mesmo que o tempo não tem tempo para mim,

ou eu que não dou tempo ao tempo?

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Adam Mattos Poesia

POESIA: O TAMBORILAR DO CORVO

O tamborilar de algo lembra uma cantiga
Remete-me aos lúgubres vazios…
Como era mesmo aquela música antiga?
Acho que era do Vivaldi com Hugo Emil

Mas esse é um concerto de violino alegre 
E por que essa lembrança me faz tremer?
Mesmo que de tudo eu abnegue
Nunca deixarei de sofrer

Acho que finalmente entendo os corvos do holandês
Eles estão fugindo, mas sempre voltam. 
Com a mesma rapidez
Que os achaques do passado me afetam

Eles voltam por não ter escolha
Assim como nossa mente insiste no pensamento cruel
Nunca um sentimento impoluto abrolha
Como os corvos, presos para sempre por um pincel.

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Adriano Besen Contos

CONTO: O LOBISOMEM

Eu sempre fui fascinado por histórias de lobisomens; em especial, as dos filmes e livros sobre o assunto. Mas quando eu tinha uns doze anos de idade, eu vi um lobisomem de perto; e foi uma experiência apavorante. Foi um dia que eu estava com minha família na casa de um tio; era um jantar festivo, ou algo assim. Era uma bela noite de verão, com um céu estrelado e uma imensa lua cheia brilhando. Após a refeição, os adultos ficaram conversando a mesa; e meus primos e eu, fomos para frente da casa deles. Nós nos sentamos na calçada e ficamos ali se divertindo e batendo papo.

A rua estava deserta, era quase meia noite e toda a vizinhança parecia já ter se recolhido. Foi quando nos chamou a atenção que o silêncio local se quebrou quando todos os cachorros da rua começaram a latir insistentemente ao mesmo tempo. Na esquina, vinha vindo em nossa direção, um homem. Ele parecia muito apressado e caminhava como se estivesse sentindo alguma dor; ele caminhava arqueado, cabeça baixa. Meus primos e eu ficamos mudos, olhando o homem passar por nós.

O homem não nos olhou, passou direto e rápido, como se não quisesse ser notado ou observado. Porém, nos chamou a atenção a sua camisa rasgada, pés descalços; e muito, mas muito peludo. O homem tinha muito pelo nos pés, nas mãos e nos braços e no rosto. Nunca tínhamos visto algo assim. O homem apressado entrou direto em uma casa no final da rua; meus primos comentaram que era uma atitude estranha, pois aquela casa estava abandonada.

Nesse momento, todos os cachorros da vizinhança recomeçaram a latir ferozmente. Eu comentei com meus primos que aquele homem até parecia estar prestes a se transformar em um lobisomem. Todos se empolgaram e resolvemos ir até a casa abandonada, cheios de imprudência e coragem. A cachorrada estava enlouquecida; quando de repente, eu vi algo assustador nos fundos daquela casa abandonada. No meio da escuridão, precariamente iluminada pela lua cheia, havia uma criatura coberta de longos pelos, com olhos esverdeados e brilhantes. Estava de pé nas patas traseiras e rosnou tão forte que o chão pareceu estremecer abaixo dos meus pés. Aquilo era com certeza um lobisomem, mas não nos atacou. Por quê?

Meus primos e eu, corremos consumidos pelo medo e se trancamos em casa. Ficamos em estado de choque durante algum tempo. Os adultos não acreditaram na história que contamos; acharam que tínhamos fantasiado alguma situação do cotidiano. Mesmo assim, diante do nosso evidente nervosismo, se viram obrigados a ir até a casa abandonada para checar. Levaram lanternas para inspecionar o local totalmente escuro. Os cachorros da rua não estavam latindo; um sinal de que a ameaça já não estava mais por ali. Não havia mais nada lá. Aquela horrenda criatura tinha ido embora. O lobisomem se foi; mas nunca mais esquecerei o que vi naquela noite de lua cheia.