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Laura Assis Poesia

POESIA: PRELIMINAR FEBRIL

A chuva caindo fina, morna

Me observando através da vidraça

E me prendendo numa mordaça

Em ebulição o que eu sinto, entorna

Eu tiro cada peça de roupa lentamente

Observada apenas pela chuva leve

Que se caísse sob minha pele, seria neve

Desaparecendo ligeira e sutilmente

Ansiava que você me observasse

Por trás de uma cortina, de uma lente

E talvez pudesse ler a minha mente

Surgindo à minha porta, me abraçasse

E eu abandono a chuva, a janela

E me sento em frente ao espelho, reflexo

Sinto minha pele, meu corpo, o sexo

Quase nua e no som a voz de Ella

Caras e bocas me olhando, pensando

Se assim fico mais sexy ou mais bela

Fecho os olhos, te vejo numa tela

E danço pra você me insinuando

Me desmancho, me envaideço

Seus dedos percorrem meus cabelos

Tocam todos os meus pelos

E de mim, quase me esqueço

Não abro os olhos, tão covarde

E todo o seu corpo toca o meu

Como se ele ainda fosse seu

E o desejo contido arde…

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Leandro Emanuel Pereira Poesia

POESIA: MANTO DE ROBUSTEZ

O segredo para uma boa dinâmica social, reside na transversalidade de uma boa autoestima por parte dos seres humanos. O verdadeiro antídoto para o bullying…

Porque não bebes? Porque não fumas? O que escondes? Não te enturmas?

Não me digas;
Que não és suscetível;
À segregação e às intrigas;
De certeza que não és perecível?

Já que resististe à pressão;
Dos primeiros versos;
Passemos a outra visão;
De pensamentos mais intensos…

A adição de algo que não aprecias;
Nada mais é que um paradoxo;
A tua individualidade e respetivas manias; Te tornam um ser com nexo…

És humano;
Portanto tocas o universo; E atrais o desengano; Expandido e intenso…

Bramidos quando necessários; Nas rusgas dos pleonasmos; Deixa de lado os agrados; Marca o sentido dos espasmos…

Sê íntegro no que fazes;
Por mais que te cuspam na cara;
Certo dia a esses seres audazes;
Nem as pedras da calçada os amparam…

Proficiência na geometria do entusiasmo; Uma pitada de bom querer;
Com laivos de sarcasmo;
O importante é bem viver…

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Joyce Nascimento Silva Poesia

POESIA: OS EFEITOS DA CONTEMPORANEIDADE

O coração às vezes sangra 

ao esperar por uma resposta

pupila dilata 

os dentes rangem uns nos outros 

como as primeiras notas de Moonlight Sonata, 

e a resposta…

 será que ela vem?

A morte certa, sabe-se que sim.

Os olhos então petrificam  

o rosto paralisa

o coração inicia o processo de congelamento

paralisa no menos 10°C

contra menos 14°F

Galileu, explica.

A morte lenta 

nascendo de uma espera.

Os dedos ansiosos tremem 

em direção às teclas

o coração aflito bate

quase lento

inspiração e expiração fracas

o que se vê

por fim 

é a palavra 

digitando…

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Maria Eduarda Poesia

POESIA: E. F. ARARAQUARA

Descalço, perambulante, ouço o apito.

Desço, correndo, de malas em punho.

Desfaleço, cambaleante: recosto no banco.

Desamasso, tremendo, o bilhete branco.

Sozinho, metido em calça curta, 

Sonho, atrevido, sobre a descoberta

Singular dessa tua face materna.

Sanhaço canta; cheguei à casa certa.

A fumaça explode contra contra as árvores.

A cachaça, aguada, quase não aplaca 

A friaca maldita que me trespassa.

Enquanto espero, no sereno, que venhas,

Encerro um suspiro, sozinho; te demoras.

Então, respiro o dolorido ar das rosas.

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Poesia Tim Soares

POESIA: ARTNOC

Sou contra
Do contra
Contramestre da contradição
Ando na contramão da contrariedade humana
E da vida contratual insana
Sou contrabaixista contra a supremacia da guitarra elétrica
E contra o aumento abusivo do preço do contrafilé
Sou contra a desconfiança da contraprova
A harmonia do contraponto
E o infortúnio de um gol contra
Sou contra ser contra o contrário
Sou do contra e o faço muito bem
Sou contra ser do contra ao contrário
E ao contrário também!